A tabela de preços da maioria das clínicas de estética foi montada assim: olhou o preço da concorrente, tirou dez reais, pronto. Funciona até o dia em que a clínica fecha o mês com a agenda cheia e a conta no vermelho, porque ninguém somou material, hora da profissional, aluguel, taxa do cartão e imposto antes de decidir o preço.
Este artigo mostra como montar a sua tabela de preços de procedimentos estéticos em 2026 a partir do custo real, com uma planilha grátis que já traz as fórmulas. Ela não traz preços de mercado, porque preço de mercado é a média das clínicas que também não fizeram a conta. Traz o seu custo, a sua margem e o seu lucro por sessão.
Os cinco passos da precificação
1. Custo da hora profissional. Some o que a profissional custa por mês (salário, encargos, comissão média ou o seu pró-labore, se você atende) e divida pelas horas efetivamente atendidas, não pelas horas na clínica. Quem fica 160 horas no mês e atende 100 tem o custo da hora calculado sobre 100.
2. Custo de material por sessão. Quanto de produto, descartável e consumível sai em uma sessão daquele procedimento. Pese ou meça uma vez e anote. Esse é o número que mais muda de clínica para clínica e o que mais gente chuta.
3. Rateio dos custos fixos. Aluguel, luz, internet, sistema, marketing, contador, limpeza: some tudo e divida pelo número de sessões que a clínica faz por mês. Cada sessão carrega uma fatia do fixo. Se a agenda esvazia, a fatia cresce, e é por isso que falta e cancelamento corroem a margem.
4. Margem sobre o custo. Custo total vezes a margem desejada dá o preço sugerido. A margem é a sua decisão de negócio: posicionamento, concorrência, demanda.
5. Cartão e imposto por fora. O preço sugerido ainda não é o preço final. Taxa de cartão e imposto incidem sobre o que a cliente paga, então o preço final é o sugerido dividido por (1 − taxa − imposto). Quem esquece esse passo entrega a margem para a maquininha.
A conta em uma linha
Um exemplo com números
Pegue uma limpeza de pele de 60 minutos numa clínica com uma profissional. A profissional custa R$ 6.000 por mês entre salário e encargos e atende 100 horas: a hora dela custa R$ 60, então a mão de obra da sessão é R$ 60. O material (demaquilante, esfoliante, máscara, descartáveis) foi medido e dá R$ 18. Os custos fixos somam R$ 6.000 por mês e a clínica faz 160 sessões: cada sessão carrega R$ 37,50 de fixo. Custo total da sessão: R$ 115,50.
Com margem de 35%, o preço sugerido é R$ 155,93. Esse ainda não é o preço final: com 4% de taxa média de cartão e 6% de imposto, o preço final é R$ 155,93 ÷ 0,90, ou seja, R$ 173,25. Arredonde para R$ 175 e o lucro por sessão fica em torno de R$ 42, já com tudo pago. Se essa clínica cobra R$ 120 “porque a vizinha cobra 130”, ela perde R$ 7,50 em cada limpeza de pele e nem sabe, porque o dinheiro entra no caixa e o custo fixo só aparece no fim do mês.
Agora faça a mesma conta com a agenda em 120 sessões no mês, em vez de 160: o fixo por sessão sobe para R$ 50 e o mesmo preço de R$ 175 passa a deixar R$ 30 de lucro. Isso mostra por que ocupação, confirmação automática e política de falta são parte da precificação, e por que a planilha pede o número de sessões por mês como parâmetro.
Como usar a planilha
- Abra a aba Parâmetros e preencha hora profissional, fixos por mês, sessões por mês, margem, taxa de cartão e imposto
- Na aba Tabela de preços, apague os exemplos e cadastre os seus procedimentos: nome, duração e custo de material
- Leia as colunas de custo total, preço sugerido, preço final e lucro por sessão: todas são fórmulas
- Compare o preço final com o que você cobra hoje e marque os procedimentos com lucro negativo
- Repita a cada três meses ou quando o material ou o aluguel subirem
Os seis procedimentos de exemplo que vêm na planilha (limpeza de pele, peeling, drenagem, depilação a laser de axila, microagulhamento e design de sobrancelhas) têm durações e custos de material ilustrativos, só para você ver as fórmulas funcionando. Troque pelos seus.
O que cada coluna calcula
- Procedimento
- Duração (min)
- Custo de material (R$)
- Custo da hora profissional (R$)
- Custo de mão de obra (R$)
- Rateio de fixos por sessão (R$)
- Custo total (R$)
- Margem desejada (%)
- Preço sugerido (R$)
- Taxa de cartão (%)
- Imposto (%)
- Preço final (R$)
- Lucro por sessão (R$)
As colunas de custo da hora, rateio de fixos, margem, taxa e imposto puxam os valores da aba Parâmetros, então você muda um número e a tabela inteira recalcula. “Custo de mão de obra” é a duração em minutos dividida por 60 vezes o custo da hora. “Lucro por sessão” é o que sobra do preço final depois de pagar cartão, imposto e todo o custo: é a única coluna que diz se o procedimento vale a pena.
Erros que destroem a margem
- Esquecer o próprio salário. Dona que atende e não coloca o pró-labore no custo da hora acha que tem lucro e está trabalhando de graça.
- Dar desconto sobre o custo. Desconto de pacote, de indicação ou de promoção sai da margem. Se o lucro por sessão é R$ 40 e o desconto é R$ 50, cada sessão dá prejuízo.
- Ignorar a falta. Cada falta sem aviso joga o rateio de fixos daquela sessão sobre as outras. Política de cancelamento e confirmação automática são parte da precificação, não só da agenda.
- Copiar o preço da vizinha. Ela tem outro aluguel, outro material, outra taxa. O preço dela é informação de posicionamento, não de custo. Leia também quanto cobrar por procedimentos estéticos.
- Confundir faturamento com lucro. Agenda cheia com preço errado é a forma mais rápida de crescer o problema. O artigo faturamento não é lucro mostra como separar os dois.
Como publicar a tabela
Procedimento padronizado pode ter preço público: no agendamento online, no Instagram, no Google. Preço visível corta as mensagens de “quanto custa?” e traz quem já decidiu. Protocolos que dependem de avaliação ficam com faixa de valor e convite para avaliar. Em qualquer caso, a tabela publicada e a tabela do sistema precisam ser a mesma, senão a recepção cobra um valor e o site mostra outro.
Pacote merece uma linha própria: preço da sessão avulsa, preço do pacote, desconto resultante e validade. Com esses quatro números na tabela, a venda do pacote deixa de ser negociação na recepção.
Perguntas frequentes
Qual a margem de lucro ideal para procedimento estético?
Não existe número universal. Entre 30% e 50% sobre o custo total é o intervalo mais comum em clínicas pequenas, mas o que importa é a margem depois de cartão e imposto, e ela precisa cobrir o seu pró-labore. A planilha calcula isso por procedimento.
Devo colocar os preços no Instagram ou no site?
Para procedimentos padronizados (limpeza de pele, depilação, design), sim: preço público reduz mensagens de 'quanto custa' e aumenta agendamento. Para protocolos que dependem de avaliação, informe a faixa e ofereça a avaliação.
Com que frequência reajustar a tabela?
Revise os custos a cada três meses e reajuste quando o custo de material ou os fixos subirem mais de 5%. Avise as clientes com antecedência e mantenha o preço antigo para pacotes já vendidos.
A planilha serve para pacote?
Sim. Calcule o preço de uma sessão, multiplique pelo número de sessões e aplique o desconto de pacote sobre o preço final, conferindo se o lucro por sessão continua positivo. O desconto sai da margem, nunca do custo.
Como o EsteticFlow ajuda
A planilha é o primeiro passo. No EsteticFlow cada procedimento tem custo de material, duração e comissão cadastrados, e cada atendimento concluído mostra o lucro real daquela sessão, já com taxa de cartão e imposto descontados. A tabela de preços vira a do agendamento online, do orçamento e da comanda, sem versões diferentes. Se você está comparando opções de sistema para clínica de estética, confira se ele mostra lucro por atendimento e não só faturamento; e para simular um procedimento agora, use a calculadora de precificação.
Lucro real por atendimento, sem planilha
Custo de material, comissão, taxa e imposto descontados automaticamente em cada atendimento. 7 dias grátis, sem cartão.
